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Solange Lima de Jesus Giro, nasceu na cidade de Martinópolis (SP), em 18/07/1962, mas passou a sua infância, adolescência e juventude na cidade de Oswaldo Cruz (SP).
Aos três anos de idade foi adotada pelo casal Stucci responsáveis pela sua formação e educação. Família simples, humilde e pobre, mas de corações generosos, pois, nessa ocasião, já contavam com cinco filhos, mesmo assim assumiram o ônus de abrigar mais uma criança em seus lares.
Casando mudou-se para a vizinha cidade de Parapuã (SP), passando a freqüentar o Centro Espírita Amor Fé e Caridade – CEAFEC, localizado na cidade de Oswaldo Cruz.
Após o nascimento de seu segundo filho adveio-lhe forte depressão, acompanhada, às vezes, por intensas dores de cabeça, necessitando de cuidados médicos e hospitalização por inúmeras vezes.
Matriculou-se no curso de mediunidade (COEM) no CEAFEC, estudando as obras complementares indicadas com muita avidez. No final do curso já manifestava visíveis sinais de mediunidade, porém não concluindo o seu desenvolvimento por dissolução do grupo.
Sentiu-se um pouco decepcionada com a atitude dos dirigentes e resolveu dar um tempo. Conquanto não lhes atribui culpa pelo ocorrido.
Nesse ínterim, seu esposo estava aplicando o COEM no Centro Espírita Viajor da Luz, na cidade de Parapuã, onde havia um pequeno grupo em formação. Na realidade era um centro antigo, mas sem nenhuma estrutura, onde tudo estava por fazer. Vislumbra-se ali um campo fértil para o trabalho.
Depois de muito insistir conseguiu convencê-la a participar. Novamente voltou a estudar com afinco, lendo muitos romances, doutrina e as obras básicas do Espiritismo.
Facilmente veio à tona a psicofonia dando passividade aos espíritos necessitados.
O grupo organizou uma estrutura para atuar na desobsessão, tendo em vista que muitos casos apareciam pedindo solução nesta seara.
Nesses trabalhos, além da psicofonia, também acentuou-se a vidência que veio como um auxiliar para diagnóstico de problemas espirituais e facilitando o trabalho de doutrinação.
Após meses nessa lida, iniciou a psicografia de pequenas mensagens, em forma de orações, conselhos para o grupo e orientação para os obsedados. A psicografia foi ficando mais intensa e rápida, produzindo-se centenas de páginas numa sessão.
Ao tempo que intensificava a psicografia a espiritualidade atendia espíritos cada vez mais sofredores, trazendo sérios reflexos psicosomáticos para Solange, que chegavam a ser preocupantes. Sofria muito.
Entrementes, uma outra médium do grupo recebeu uma mensagem psicofônica prevendo que em breve alguém desenvolveria a pintura mediúnica.
Esses atendimentos foram abrandados e ela passou a ver flores, pássaros e paisagens em forma de chichês mentais, descrevendo-os em muitas sessões. Posteriormente, com caneta mesmo, fez pequenos desenhos em forma de rostos e flores.
Certa noite, neste desenrolar de fatos, Solange teve um desdobramento sonambúlico onde os espíritos mostravam um beija-flor que posavam nas flores e ela repetia em alto e bom som que “o beija-flor pousou nas minhas flores”. Um amigo espiritual repetia várias vezes “ o amor é chama que jamais deverá apagar-se de seu coração”.
A partir daí esse processo evolui-se mais rapidamente. Adquiriu-se giz de cera e os desenhos começaram a fluir já com contornos mediúnicos, mas ainda em folha de sulfite.
Assim, por conseqüência, vieram o craiom, as tintas acrílicas, o papel cartolina e, por fim, as telas.
Observa-se que a mediunidade de psipictografia jamais parou de evoluir. Basicamente ficou um ano treinando sistematicamente alguns dias da semana para aprimorar essa faculdade. Nesse lapso de tempo, produziu-se mais de 5.000 quadros mediúnicos de variados temas, permanecendo guardados na casa espírita.
Concomitante ao desenvolvimento da pintura mediúnica, Solange teve outra faculdade desenvolvida que é o desdobramento sonambúlico.
Essa faculdade consiste no afastamento da psique, do corpo do médium, alheando-se do mundo físico e penetrando no mundo espiritual para um convívio momentâneo e direito com os espíritos.
Já foram registrados e gravados mais de 20 desdobramentos, sendo assistidos por várias pessoas e com duração de até uma hora e meia. Todos com ricas instruções dos espíritos e reprodução pela médium de sons do ambiente espiritual, como por exemplo: crianças dançando, cantando, tocando e as falas dos orientadores espirituais em sotaque diferente.
Mais tarde, não porque Solange tinha predileção, mas por persuasão da espiritualidade ela veio a trabalhar no campo da cura. Tal fato só ocorreu depois de muita insistência da espiritualidade, mormente porque no grupo de pintores sempre apresentaram espíritos que foram médicos em existência física.
Assim, Solange vem conciliando estas mediunidades e dedicando-se ao mediunato como um sacerdócio, procurando melhorar-se como pessoa através da prática da caridade, do estudo e do convívio com os espíritos.
No afloramento de suas mediunidades muitas dúvidas graçaram o seu íntimo, trazendo-lhe inseguranças.
Certa feita, Divaldo Pereira Franco fazia conferência na cidade de Oswaldo Cruz (SP) a convite da Comunidade Espírita Joana de Angelis, ocasião em que Solange levou algumas obras mediúnicas primiciais para apreciação de Divaldo. Para surpresa de Solange, Divaldo analisou muito friamente os quadros e não concordou e nem discordou que os quadros fossem mediúnicos, mas sim disse que gostava mesmo de receber quadros sem assinaturas porque muitos que chegavam até ele não eram e nunca seriam de Renoir.
Solange ficou muito triste com o episódio. Dava-se a impressão que tudo aquilo que vinha desenvolvendo com dedicação e confiança perdesse o sentido. Ela foi para casa triste e pensativa, mas como não é de desistir nas primeiras dificuldades, no dia seguinte, lá estava Solange com dois livros para Divaldo autografar para os seus filhos. Para sua surpresa, a primeira pessoa a ser atendida foi ela que ainda estava sob forte impressão negativa.
Divaldo disse que lhe não tinha esquecido e que via fortes traços mediúnicos em seus quadros. Aconselhou-a a não parar e que fizesse as pinturas com amor e humildade, transmitindo os ensinamentos do evangelho de Jesus e se assim fizesse, estaria preparada para pintar num casebre, num palacete ou até mesmo dentro de um circo, pois estaria sendo assistida pelos bons espíritos e principalmente por Jesus.
Outro fato peculiar é que durante a lida com os pintores Monet sempre mostrou-se muito paternal com Solange e, em dado momento, revelou que em outra existência ela fora sua filha e hoje ainda guarda esses sentimentos paternais em relação a ela. Tal informação ficou restrita a poucas pessoas que compunham o grupo.
Em determinada ocasião, Solange foi assistir na vizinha cidade de Adamantina (SP), a apresentação de pintura mediúnica da médium Valquiria, da cidade de Guarapuava (PR). Nesta oportunidade foi convidada para comparecer, no dia seguinte, na Casa do Garoto, mantido pela comunidade espírita local, onde ela faria uma palestra e nova sessão mediúnica.
Em determinado instante em que estava produzindo os quadros a médium Valquiria convidou Solange para aproximar-se dela e lhe disse muito efusivamente: olha eu estou vendo o pintor Monet muito emocionado te abraçar muitas vezes e todas vezes ele vem ate mim e diz que você foi filha dele em outra existência. Solange agradeceu pela informação e a convite de Valquiria pintaram um quadro juntas. Foi um instante ímpar que só veio consolidar a verdade sobre a mediunidade.
Esses pequenos episódios e muitos outros que sucederam deram a Solange a certeza da sua mediunidade e do compromisso assumido na espiritualidade como prova e, sobretudo, como abençoada oportunidade de resgate do passado ominoso que todos trazemos.
Sendo a cidade muito pequena e não oferecendo suporte para desenvolver a pintura mediúnica, buscou-se novas fronteiras, levando e divulgando esse trabalho e, ao mesmo tempo, convertendo em recursos para manutenir o trabalho social que já vem desenvolvendo mesmo antes de sua mediunidade.
É importante frisar que, em dado momento, os pintores autorizaram a converter os quadros em renda financeira para ajudar a instituição local em sua manutenção e em todos os trabalhos de promoção humana que ali são desenvolvidos. Convencionou-se estabelecer um preço prévio e razoável pelos quadros, sem fazer leilões nos locais de apresentação.
Podemos catalogar que já foram distribuídos em torno de 2.000 cestas de natal, mais de 1.000 cobertores e blusas de frio, mantidos um trabalho semanal de distribuição de sopa para famílias carentes, dezenas de enxoval de recém nascido, distribuído remédios para centenas de pessoas, consultas médicas, aparelhos corretivos, prótese dentária, concursos de desenhos e redações com distribuição de brinquedos, equipado uma sala completa de fisioterapia no Asilo de Oswaldo Cruz, doado dezenas de cadeiras de rodas, contribuído em cestas de natal de outras instituições vizinhas, construído 01 casa em parceria com a Prefeitura Municipal em Parapuã, material de construção para término de outra, construção de um banheiro, doado um tanquinho de lavar roupa, construção de 02 cômodos na cidade de Araçatuba, colaboração na construção de 02 casas na cidade de Campinas, uma na cidade de Osvaldo Cruz, doação financeira para muitos centros espíritas, material didático para trabalho pedagógico em Parapuã, patrocinado ovos de páscoa para crianças carentes, festividade do dia das crianças, patrocinado 02 cursos profissionalizante para crianças carentes, cursos de informática, reforma da sede da instituição várias vezes, compra de cadeiras, fogão, mesa, rádio, aparelho de som, etc.
A instituição já recebeu menção honrosa da Prefeitura Municipal de Parapuã e Rotary Club Internacional pelos relevantes serviços humanitários prestados a comunidade local.
Toda essa pequena grande obra deve-se aos espíritos que através dela vieram prestar serviços ao próximo. Além dos efeitos materiais resultantes, Solange e os mentores espirituais intercalam atendimento às pessoas que perderam entes queridos trazendo-lhes mensagens. Esse é um trabalho muito consolador com largo alcance social, pois elimina incertezas que as pessoas trazem com o fenômeno da morte e dá-lhes uma comprovação direta da imortalidade da alma.
Enfim, a mediunidade e médium formam uma verdadeira fonte inesgotável que escoam virtudes para enxugar as lágrimas dos combalidos, a angústia dos corações, o flagelo da fome, os rigores do frio, combatendo as desigualdades, o orgulho e o egoísmo, e, ainda, como fonte de luz, convida todos a interiorizar-se no mundo das transformações íntimas para emergir uma humanidade muito mais venturosa e feliz.
Solange desde 1987 é seareira da Sociedade Espírita Caminheiros do Bem, mantenedora da Casa da Sopa, localizada na Rua Espírito Santo, 1017, na cidade de Parapuã (SP).
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